DTP-Hib-VIP - Vacina pentavalente contra difteria, tétano,            tosse convulsa, Haemophilus e poliomielite
DTP-Hib - Vacina tetravalente contra difteria, tétano, tosse             convulsa (pertussis) e Haemophilus influenzae
DTP-VIP - Vacina tetravalente contra a difteria, tétano, tosse             convulsa e poliomielite.
DTP - Vacina tríplice contra a difteria, tétano e tosse             convulsa (pertussis)
DT -   Vacina dupla contra a difteria e o tétano
Td -   Vacina dupla contra a difteria, em dose reduzida, e o            tétano

 

  Generalidades
  Reacções pós-vacinais


Sobre as doenças e respectivas vacinas:
  Difteria (D)
  Tétano (T)
  Prevenção do tétano neonatal e do puerpério
  Prevenção do tétano na presença de ferimentos potencialmente     tetanogénicos
  Tosse convulsa (pertussis, coqueluche)
  Haemophilus influenzae (Hib)


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Generalidades

A vacinação universal e sistemática contra a difteria e o tétano efectua-se em Portugal, desde 1962, a vacinação contra a tosse convulsa desde 1963 e a vacinação contra o Haemophilus influenzae-tipo b no ano 2000. A partir de Janeiro de 2006, a vacinação contra estas doenças é feita administrando a vacina combinada pentavalente DTPa-Hib-VIP. Esta está contemplada no PNV aos 2, 4, 6 meses de idade, dando-se depois a vacina DTPa-Hib aos 18 meses e a DTPa-VIP aos 5-6 anos.

Até Jan 2006, a componente contra a pertussis usada no PNV português era do tipo “whole cell”, daí que a DTP seja por vezes designada DTPw, mas a partir de Janeiro 2006 a componente será do tipo "acelular", designando-se então por DTPa. A DTPa apresenta a mesma eficácia na protecção contra a doença que a DTPw, mas tem a vantagem de causar menos reacções pós-vacinais. O facto da DTPa ser combinada com a vacina Hib e/ou VIP não afecta a sua eficácia.

Para crianças que iniciam tardiamente a vacinação (7 aos 9 anos), a vacina administrada é a dupla contra difteria e tétano (DT), segundo um esquema em atraso recomendado. Também nas crianças com contra-indicações para a componente pertussis (P), a vacina administrada é a DT, seguindo o calendário previsto para a DTP:

A vacina contra o tétano administra-se até aos 5-6 anos incluída na DTP-Hib e DTP; aos 11-13 anos é feito um reforço com a vacina combinada contra o tétano e a difteria (Td) em que a dose diftérica é reduzida. Aos adultos que nunca foram vacinados contra o tétano ou de que se desconhece o estado vacinal anterior, devem administrar-se 3 doses de Td, segundo o esquema tardio recomendado.

As crianças com doença neurológica evolutiva (epilepsia descompensada, espasmos infantis, encefalopatias evolutivas, etc), só devem ser vacinadas com DT ou DTPa (pertussis acelular), devendo ser consultado o médico assistente que decidirá acerca da melhor opção vacinal a prescrever.

A ocorrência de surtos pode justificar, por indicação da DGS, o início da vacinação contra a tosse convulsa a partir das 4 a 6 semanas de idade, com intervalos de 4 semanas entre as 3 doses da primovacinação.

A vacinação iniciada após a exposição ao agente não protege contra a eventual doença resultante desse contacto, no entanto a vacina não está contra-indicada.


   
 

Reacções pós-vacinais

Frequentemente forma-se um nódulo duro e doloroso no local de administração da DTP-Hib-VIP, DTP-Hib, DTP-VIP, DTP, DT ou Td, persistindo por algumas semanas. As reacções ligeiras associadas a estas vacinas são relativamente frequentes (principalmente quando a componente pertussis é whole cell), manifestando-se, nomeadamente através de febre e sinais inflamatórios locais, que ocorrem geralmente nas primeiras 48h após administração da vacina. A componente pertussis "whole cell" pode ainda ser responsável por sonolência, irritabilidade, anorexia, vómitos e choro, nas 48h após administração. Estas manifestações são mais frequentes com o aumento do número de doses administradas, mas desaparecem espontâneamente, não deixam sequelas e não contra-indicam doses seguintes da vacina.

A DGS recomenda a administração de um antipirético, de preferência paracetamol, aquando da administração da vacina, a repetir, se necessário, 4 e 8 h mais tarde (15 mg/Kg).

A componente pertussis "whole cell" também pode ser responsável por reacções mais graves que exigem ponderação quanto à continuação do esquema para esta vacina, sendo de respeitar as indicações que se seguem. Este potencial problema deve gradualmente desaparecer a partir de Jan 2006, com a substituição da componente pertussis "whole cell" pela "acelular" em todas as vacinas.

Após administração de uma dose de DTPw, se a criança tiver uma das seguintes reacções adversas, a DGS recomenda (1):

Reacção adversa
Recomendação
- Temperatura superior a 40,5º C nas 48 horas a seguir à vacinação, não explicável por outra causa.- Convulsões, com ou sem febre, nas 72 horas a seguir à vacinação.- Choro persistente e/ou grito agudo, por um período igual ou superior a 3 horas, nas 48 horas a seguir à vacinação.- Prostração intensa ou colapso (episódio hipotónico-hiporreactivo), nas 48 horas a seguir à vacinação. Deve ser consultado o médico assistente, que decidirá acerca da melhor opção vacinal a prescrever para continuar o esquema - DTPw, DTPa (2), ou DT.

- Encefalopatia (3) nos 7 dias a seguir à vacinação Deve continuar o esquema vacinal com DT.

- Reacção anafiláctica Não deve receber doses posteriores de qualquer dos antigénios presentes nesta vacina. Mesmo assim, dada a gravidade da difteria e do tétano deve ser ponderada, pelo médico assistente, uma dessensibilização aos antigénios em questão, por eventual administração de DT/Td ou T, em meio hospitalar.
(1) No futuro estas recomendações poderão ser actualizadas, caso venha a ser introduzida no PNV a vacina DTPa (acelular).
(2) A vacina DTPa pode ser adquirida pela instituição de saúde, mediante prescrição, acompanhada de relatório médico justificativo.
(3) Encefalopatia é definida como uma alteração grave e aguda do sistema nervoso central, sem outra causa conhecida, que se pode manifestar através de perturbações graves da consciência ou por convulsões generalizadas ou focais persistentes, não recuperando dentro das primeiras 24 horas.

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Difteria (D)

Os sintomas clínicos da difteria são causados pela toxina da bactéria Corynebacterium diphtheriae. A doença afecta essencialmente as vias respiratórias superiores e por vezes a pele. A toxina pode também provocar paralisias e miocardites.

A componente da vacina contra a difteria contém um toxóide (toxina sem toxicidade) que se obtém tratando uma preparação de toxina diftérica com formaldeído. O toxóide é pouco imunogénico, pelo que se lhe adiciona um adjuvante, em geral hidróxido de alumínio.

Em Portugal, até Dez 2005, a vacina contra a difteria foi comumente administrada como componente da vacina trivalente DTP. A partir de Jan 2006, a vacina é englobada na vacina pentavalente DTPa-Hib-VIP aos 2, 4 e 6 meses. Nos adultos (> 18 anos) a vacinação deve ser feita com uma anatoxina em dose reduzida (como na vacina Td), a fim de evitar reacções graves, possíveis em indivíduos já imunizados.

Quanto à profilaxia dos contactos de um caso de difteria, os indivíduos contactados devem receber uma dose de vacina (DT ou DTP em crianças, Td em adultos), salvo se se puder comprovar que já receberam pelo menos 3 doses, tendo a última dose sido dada há menos de 1 ano. Os não vacinados, ou incompletamente vacinados, recebem posteriormente doses adicionais para completar a sua protecção vacinal. Os contactos devem também receber um tratamento profilático com antibióticos (eritromicina), qualquer que seja o seu estado vacinal.

Espreite aqui o impacto que a vacinação teve sobre a incidência de difteria em Portugal.


   

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Tétano (T)

O tétano caracteriza-se por provocar contratura muscular, com crises paroxísticas, e é provocado pela toxina do bacilo tetânico, o qual multiplica-se em aberturas da pele causadas por ferimentos.

A vacina contra o tétano é produzida tratanto a toxina do bacilo do tétano com formaldeído, o qual a transforma num toxóide (a toxina mantém-se imunogénica, mas sem toxicidade). Por vezes a imunogenicidade desta anatoxina é reforçada por um adjuvante.

Em Portugal, até Dez 2005, a vacina contra o tétano era em geral administrada nas crianças como componente da vacina trivalente DTP. A partir de Jan 2006, está incluída na vacina DTPa-Hib-VIP. Nos adultos, a vacina contra o tétano é combinada com a componente diftérica em dose reduzida, na vacina bivalente Td, seguindo o esquema recomendado pelo PNV. Nos adultos que nunca foram vacinados contra o tétano, ou de que se desconhece o estado vacinal anterior, devem administrar-se 3 doses de Td, sendo a segunda 4 a 6 semanas após a primeira e a terceira 6 a 12 meses após a segunda. As mulheres em idade fértil, que estejam nesta situação, devem ainda fazer um reforço 1 a 5 anos após a 3ª dose. A partir desta série vacinal, os adultos continuam o esquema recomendado para os reforços, com Td, durante toda a vida (de 10 em 10 anos).


   

Prevenção do tétano neonatal e do puerpério (Recomendações da DGS)

A prevenção do tétano neonatal e do puerpério deve ser feita muito antes da gravidez. É desejável que cada mulher receba pelo menos 5 doses de toxóide tetânico (T) até engravidar – independentemente de se tratar da forma monovalente ou combinada da vacina - sendo que um dos reforços deve ser feito no início da idade fértil (situação normal quando se cumpre o PNV).

- Recomendações sobre vacinação contra o tétano durante a gravidez

A decisão de administrar a vacina contra o tétano durante a gravidez, assim como o número de doses a administrar, deve basear-se no número total de doses de toxóide tetânico (T) - independentemente da forma monovalente ou combinada da vacina - recebidas durante toda a vida da grávida e do número de anos decorridos desde a última dose (ver Quadro).

Quadro - Número de doses de vacina contra o tétano a administrar durante a gravidez, segundo o número de doses recebidas anteriormente e o tempo decorrido desde a última dose
Nº de doses recebidas anteriormente
Última dose há10 ou mais anos
Última dose há menos de 10 anos
Desconhecido, 0,1 ou 2
2
2
3
1
1
4 ou mais
1
0

Quando for necessário administrar 2 doses durante a gravidez, estas devem ser intervaladas de pelo menos 4 semanas.
A primeira dose deve ser administrada logo no primeiro contacto durante a gravidez. Contudo, nos casos em que o primeiro contacto se verifica no primeiro trimestre da gravidez e há garantia de um seguimento regular da grávida, a primeira dose pode ser adiada para o início do 2º trimestre.
A segunda dose deve ser administrada até pelo menos 2 semanas antes do parto.
Recomenda-se ainda uma dose, 6 a 12 meses depois da segunda dose. As mulheres com história vacinal desconhecida, ou sem nenhuma dose antes da gravidez, devem ainda fazer um reforço 1 a 5 anos depois da 3a dose.

- Recomendações sobre vacinação contra o tétano durante o puerpério

Por vezes só depois do parto é que se verifica que a mulher não está correctamente vacinada contra o tétano. As maternidades e os serviços de obstetrícia têm, nestes casos, um papel fundamental. Recomenda-se que nesses serviços seja verificado o estado vacinal da puérpera e que a mesma seja vacinada, quando aplicável. A consulta de revisão do puerpério, habitualmente no centro de saúde, é também outra oportunidade para verificação do estado vacinal e eventual vacinação. A vacina a utilizar é a Td.


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Prevenção do tétano na presença de ferimentos potencialmente tetanogénicos (Recomendações da DGS)

Os indivíduos que apresentem feridas pequenas e não conspurcadas consideram-se protegidos contra o tétano, se possuírem registo de pelo menos 3 doses, a última das quais administrada há menos de 10 anos.
Para todos os outros tipos de ferimentos, apenas se consideram protegidos os indivíduos com registo de pelo menos 3 doses, a última das quais administrada há menos de 5 anos.

Consoante o tipo de ferimento, os indivíduos que não cumpram as condições acima referidas, devem ser vacinados com uma dose de vacina contra o tétano (na forma monovalente ou combinada, que melhor se adequar à idade e estado vacinal anterior do ferido) aquando do tratamento da ferida.

No Quadro resume-se o esquema proposto.

Quadro - vacinação contra o tétano na presença de ferimentos

História de vacinação
contra o tétano (nº de doses)

Feridas pequenas e limpas
Todas as outras feridas
Vacina
Imunoglobulina
Vacina
Imunoglobulina
Desconhecida ou < 3
sim
não
sim
sim (1)
3 ou >3
não (2)
não
não (3)
não

(1) Administrada numa seringa diferente e em local anatómico diferente da vacina.
(2) A não ser que a última dose tenha sido feita há 10 ou mais anos.
(3) A não ser que a última dose tenha sido feita há 5 ou mais anos.

A Direcção Geral de Saúde recomenda ainda que as vacinas e imunoglobulinas administradas aquando do tratamento de ferimentos devem ficar obrigatoriamente registadas no "boletim de vacinas" ou, quando tal não for possível, noutro "documento" que permita a posterior transcrição para o "boletim de vacinas" e para a ficha de vacinação.


 
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Tosse convulsa (coqueluche, pertussis)  

A tosse convulsa ou coqueluche é uma doença respiratória muito contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. A sua gravidade advém de complicações bronco-pneumónicas que pode provocar e da mortalidade que lhe está associada, especialmente em menores de 6 meses de idade. Esta infecção transmite-se de pessoa para pessoa por via aérea, através de gotículas expelidas pelo doente quando espirra, tosse ou fala.

A vacina clássica (a Pw), chamada “vacina holocelular” ou “whole cell” ou “com bactérias inteiras”, é uma suspensão de células de Bordetella pertussis, mortas por métodos que variam entre os fabricantes. Existem também vacinas acelulares (Pa), compostas por um ou vários antigénios purificados da Bordetella. É frequente, por exemplo, que sejam toxóides obtidos da toxina da bactéria por modificação química (com formaldeído ou glutaraldeído).

Em Portugal, até Dez 2005, a vacina contra a pertussis era normalmente administrada nas crianças como componente da vacina trivalente DTPw, sendo a componente pertussis do tipo “whole cell” . A partir de Jan 2006, a componente pertussis nas vacinas em Portugal passará a ser do tipo acelular (DTPa) em combinação com a vacina Hib e/ou a VIP.

Espreite aqui o impacto que a vacinação teve sobre a incidência de tosse convulsa em Portugal.


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Haemophilus influenzae (Hib)

O Haemopihlus influenza é uma bactéria com 6 serogrupos capsulados (de "a" a "f") dos quais o tipo "b" é em geral o que causa doença. Esta bactéria causa infecções localizadas (otite média, rinofaringite, sinusite, bronquite, etc) mas também se pode disseminar dando origem a epiglotite, pneumonia, pericardite, artrite séptica e meningite, esta última com maior incidência entre os 3 e 24 meses de idade. A bactéria localiza-se em geral na nasofaringe humana, transmitindo-se entre indivíduos em geral por via aérea, através de gotículas aéreas que se espalham quando o doente espirra, tosse ou fala. O risco de contrair doença após uma infecção é mais elevado entre os 6 meses e os 2 anos de idade.

A vacina contra o Haemophilus (vacina Hib) foi introduzida no PNV português em 2000. Trata-se de uma vacina conjugada altamente eficaz. Recomenda-se a toma da vacina aos 2, 4 e 6 meses de idade, (a partir de Jan 2006 integrada na vacina DTPa-Hib-VIP). Aos 18 meses é dado um reforço da vacina, integrado na DTPa-Hib.

Para as crianças que não tenham cumprido o calendário de idades acima recomendado, recomenda-se o seguinte esquema de toma:

Idade de início Primovacinação Reforço
6 semanas - 6 meses 3 doses* 18 meses
7-11 meses 2 doses* 18 meses
12-15 meses 1 dose 18 meses
> 15 meses e < 5 anos 1 dose nenhum

* Com intervalo de 2 meses entre doses

Se fôr necessário um esquema acelerado, devem ser respeitados intervalos mínimos de 4 semanas entre as 3 primeiras doses.

A vacina Hib não deve ser dada a crianças que tenham tido reacção anterior de hipersensibilidade grave a qualquer das substâncias que compõem a vacina, nomeadamente as proteinas usadas como conjugante na vacina, i.e., os toxóides da difteria ou tétano, ou o complexo proteico da membrana da bactéria Neisseria.

A vacina deve ser adiada em indivíduos com doença aguda grave, com ou sem febre, ou doença crónica progressiva.

A vacina é bastante segura. Contudo, cerca de 5 a 30% das crianças vacinadas desenvolvem, 3 a 4 h mais tarde, eritema, edema, ardor ou dor ligeira no local de injecção. Estes sintomas desaparecem em 24h. Cerca de 2 a 10% das crianças vacinadas podem desenvolver febre ligeira num curto período de tempo após vacinação.



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